Polícia Civil de Januária deve encaminhar inquérito até esta terça-feira (Foto: Ana Paula Cabral/Arquivo pessoal)

Laudos feitos pelo hospital da cidade e médico legista indicam agressões, mas suspeito diz ter apenas ‘passado a mão’, segundo a PC; inquérito foi concluído e será encaminhado à Justiça.

Por Juliana Gorayeb, G1 Grande Minas

Um inquérito concluído pela Polícia Civil de Januária deve ser encaminhado, até esta terça-feira (19), para que a Justiça analise um caso de suspeita de estupro ocorrido na cidade no último sábado (16). Um homem de 27 anos foi preso após o sobrinho dele, de 11 anos, denunciar à família que foi abusado pelo tio. A criança foi levada ao hospital da cidade, quando uma enfermeira acionou a Polícia Militar após serem constatadas as agressões; o tio do menino estava no mesmo hospital quando foi detido.
O suspeito foi encaminhado para a Delegacia de Polícia Civil para prestar depoimento. Para a PC, o homem negou que tivesse estuprado a criança e acusou o menino de estar mentindo, porque tinha problemas de relacionamento com ele. Após ser pressionado, o suspeito informou à polícia que “apenas passou a mão no sobrinho”, apesar de laudos médicos apontarem que a criança sofreu ferimentos na região anal.
“No hospital, ficou constatado que o menino tinha ferimentos no ânus e foram vistas manchas de sangue. O médico legista, no mesmo dia, fez exames na criança e foi comprovado que houve abuso. Apesar disso, ele negou em primeiro momento, disse que não tinha feito nada. Só depois confessou que havia passado a mão no sobrinho. Apenas isso já configura estupro”, afirma o delegado responsável pela ocorrência, Fernando Santos Elias.
Desavença familiar
De acordo com informações da Polícia Civil, a vítima e o tio moram no mesmo terreno, na Rua Olíbrio Lima. A criança vive com a bisavó, de 72 anos, na casa da frente, e o suspeito de cometer o estupro na casa do fundo. Antes das agressões, o homem experimentava algumas roupas na casa da frente. A família contou que o tio pediu que a criança lhe trouxesse café no quarto. Quando o menino voltou com a xícara vazia, sofreu os abusos.
De acordo com a PC, o homem fechou a porta e jogou o menino na cama. As agressões duraram cerca de um minuto. O suspeito parou, segundo a polícia, porque a vítima gritava muito e sentiu muitas dores. O menino saiu e contou à bisavó, quando uma desavença entre eles começou. O suspeito começou a discutir com irmãos e tios, além da própria bisavó e a criança. Uma prima sugeriu que fossem todos até o hospital local para que a vítima fosse submetida a exames. Na triagem, a enfermeira percebeu que o menino teria sido abusado e acionou a PM. O homem foi preso no local.
O laudo do médico legista da Polícia Civil, finalizado ainda no sábado, constatou que houve relação entre o homem e a criança. O suspeito segue preso em Januária. No domingo (17), o juiz decretou a prisão preventiva ao tio da vítima, que responde pelo crime de estupro de vulnerável.
“A tendência é que ele aguarde preso até que saia a sentença. A pena pode chegar de oito a 15 anos de prisão. O inquérito já foi concluso e deve ser encaminhado à Justiça, no máximo, até terça (19)”, explica o delegado Fernando Elias.